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Semana santa traz os velhos tempos da fé: veja a programação desta segundaCelebração do domingo de Ramos, que deu início aos festejos da semana santa, renova a devoção sem perder a tradição do uso do véu e das fitas roxas no peito das mulheres

26 MAR 2018
26 de Março de 2018

Uma procissão como nos velhos tempos. As mulheres usavam véu, fita roxa no peito e terço nas mãos; os homens vestiram calça preta e camisa branca, e um portador carregava, à frente, o Arma Christi ou representação dos martírios de Cristo (coroa de espinhos, lança, escada etc.). Com esse cortejo saindo do Santuário São Paulo da Cruz, na Região do Barreiro, moradores católicos celebraram ontem o domingo de Ramos, que recria a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e dá início às celebrações da semana santa.
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Em vez de seguir sobre o burrinho, como ocorre em muitas celebrações religiosas de Minas Gerais, Jesus caminhava como num quadro do Sagrado Coração. Debaixo de um arco e entre os fiéis, acenava com os galhos de alecrim, manjericão, palmeirinhas e de alguma árvore da Praça Domingos Gatti, onde fica a igreja.


Religiosos se confessam em preparação para a semana santa
“Se as férias existem para relaxar e o carnaval divertir, a semana santa é tempo de renovação espiritual. São dias para esvaziar a si mesmo e se encher da graça de Deus. Portanto, esses dias são para rezar e estar junto com a família num encontro com Deus”, disse o reitor do santuário, padre Alex Antônio Favaratto.

Ele explicou que, desta vez, o grupo de teatro São Paulo da Cruz buscou inspiração nas procissões de meados do século passado e na religiosidade do interior mineiro, quando o véu branco era obrigatório para as mulheres nas cerimônias religiosas. Artista plástica, professora da rede municipal de educação e aderecista do grupo de teatro, Maria Tereza Silva gostou do figurino e fez o percurso, em torno do santuário, com o terço nas mãos.

“Estou mantendo a tradição da minha avó, que acompanhava as procissões quando a paróquia ainda não era santuário”, contou. Ao lado, a auxiliar administrativa Poliana de Almeida Fonseca se mostrou feliz de participar e falou da importância de preservar a história. Caracterizado como Jesus, com túnica e peruca, Gérson Geraldo Teixeira representou mais uma vez o papel do “homem de Nazaré”.

Hoje, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, há várias celebrações da Paixão de Cristo (veja programação), muitas com a presença do arcebispo metropolitano, dom Walmor Oliveira de Azevedo. Moradores e visitantes vão participar de missas solenes, com músicas em latim, ouvir o canto da Verônica e os motetos durante as procissões. Até sexta-feira, as imagens barrocas e as figuras vivas vão percorrer as ladeiras de pedras das cidades de passado colonial das Gerais.



 Cortejo saiu do Santuário São Paulo da Cruz, no Barreiro de Baixo, guiado pela antiga procissão das fiéis sob véu, fita roxa e terço nas mãos (foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press)
Cortejo saiu do Santuário São Paulo da Cruz, no Barreiro de Baixo, guiado pela antiga procissão das fiéis sob véu, fita roxa e terço nas mãos
(foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press)
INSPIRAÇÃO Na noite de ontem, o grupo de teatro encenou partes da Paixão de Cristo, que será recontada no palco montado, de frente para a praça, na Região do Barreiro, nesta quarta-feira, às 20h30; na quinta-feira, depois da missa das 19h30; e na sexta-feira, às 18h30, com todo o elenco. Autor do texto e codiretor do grupo, Pedro Henrique Simões fez a pesquisa para dar o clima retrô à procissão. “Buscamos inspiração nas antigas procissões aqui do Barreiro, de 60, 70 anos atrás, como os irmãos das confrarias religiosas. Jesus está vestido da forma como as pessoas o veem, com o sagrado coração no peito.”

Protegendo-se sob uma árvore do sol forte da manhã, a autônoma Adriane de Souza cortou um galho pequeno e recebeu a bênção do padre Giovani Cipriani, que deu início à solenidade, às 9h, na Praça Domingos Gatti, no Bairro Barreiro de Baixo. “Gosto muito dessa tradição, venho todo ano. Hoje tive que vir correndo e deu tempo de receber a água benta”, revelou.

Carregando a filha Clara, de 5 anos, no pescoço, Fabrício Gonçalves acompanhou a procissão com a mulher, Cássia Maria. “Vir à procissão é um jeito de homenagear Jesus e fortalecer nossa fé. Gosto de trazer alecrim e depois usá-lo para fazer chá”, disse Cássia Maria.
 

 

Celebrações de hoje da  Paixão de Cristo

» Belo Horizonte
Santuário de São Paulo da Cruz, na Praça Domingos Gatti, no Barreiro de Baixo
12h – Santa missa
19h – Celebração do ofício das Trevas
19h30 – Missa, sermão e procissão de Nossa Senhora das Dores em direção à Comunidade Nossa Senhora Aparecida

» Sabará, na Grande BH
9h – Missa com os enfermos na Igreja Nossa Senhora do Carmo, no Centro, e na Comunidade Santa Rita (Paciência)
19h – Missa e sermão do Pretório (prisão de Jesus), na Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Em seguida, procissão do depósito de Nosso Senhor dos Passos até a Matriz de Nossa Senhora do Rosário

» Santa Luzia, na Grande BH
19 – Missa no Santuário de Santa Luzia, no Centro Histórico
20h – Procissão do depósito de Nosso Senhor dos Passos, saindo do santuário em direção à Capela de Nossa Senhora do Carmo
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